Quem são os campeões das seletivas brasileiras que ganharam o ouro do ADCC na última década?

Foto: Divulgação/ADCC

O ADCC South American Trials chega com ambas as edições de 2026 neste mês de março, com a primeira realizada no Rio de Janeiro no dia 14 de março, enquanto a segunda toma conta de São Paulo no dia 21 de março. Garantindo ao todo 14 vagas no evento principal da organização desse ano, as seletivas são uns dos torneios mais aguardados pela comunidade brasileira do Jiu-Jitsu, servindo como chancela para competidores menos experientes e agregando ainda mais valor para o currículo de veteranos do esporte.

Em casos mais raros, atletas não só se qualificaram para competir no Mundial do ADCC como também conquistaram a sonhada medalha de ouro no maior evento de grappling do mundo, com tal feito sendo repetido algumas vezes nos anos recentes. Confira nas linhas abaixo os competidores que se tornaram campeões do ADCC após vencer as seletivas brasileiras da organização na última década.

Davi Ramos: Uma jornada do Rio a São Paulo pelo ouro do ADCC 2015

Faixa-preta duríssimo da Atos, Davi Ramos fez história no dia 30 de agosto de 2015 em São Paulo, finalizando Lucas Lepri na final da divisão até 77kg para ficar com seu primeiro e único título no ADCC. O caminho para a conquista, no entanto, foi pavimentado meses antes, com a participação da fera na seletiva carioca da organização, realizada entre os dias 11 e 12 de abril no Iate Clube Guanabara, na Ilha do Governador.

Sempre trazendo muito volume de jogo para ditar o rumo de seus confrontos, Davi contabilizou três vitórias por finalização e uma na decisão antes de chegar na semifinal contra Thiago “Baiano” Abreu, usando sua costumeira pressão para despachar o adversário com 4 a 0 no placar do duelo. Na finalíssima, Davi manteve o ritmo para frear o ímpeto do adversário Claudio Caloquinha, que veio finalizando todo mundo do seu lado da chave, e conseguiu fazer o ajuste certo em um mata-leão para receber os três tapinhas e a medalha de ouro na disputa.

Com a vitória na seletiva, Davi chegou com tudo para o evento principal, derrotando o sul-coreano Young-Am Noh na primeira rodada, pegando as costas de Gabriel Rollo nas quartas-de-final para vencer por pontos, finalizando o companheiro de UFC Gilbert “Durinho” Burns com um mata-leão, e aplicando um memorável armlock voador para superar Lucas Lepri, se tornar o campeão até 77kg do ADCC 2015 e ainda ser votado como o melhor atleta do torneio.

Diogo Reis: O amazonense que conquistou Las Vegas em 2022

Hoje um representante de renome da Melqui Galvão, Diogo “Baby Shark” Reis fez boa parte de sua fama no Jiu-Jitsu internacional com sua apresentação no ADCC 2022, realizado em Las Vegas entre os dias 17 e 18 de setembro. Para chegar à famosa cidade americana, no entanto, o faixa-preta do Amazonas teve que passar por uma prova de fogo em Balneário Camboriú no dia 5 de fevereiro, superando cinco oponentes para ficar com a vitória na primeira seletiva sul-americana da organização.

Competindo na chave até 66kg, Diogo abriu finalizando Dinei Almeida com um mata-leão, lutou muito para frente para vencer Kauã Gabriel e Rodrigo Dias na decisão, e resistiu bem a pressão do “Hokage” Fabricio Andrey para fazer o ajuste certo em um heel hook na semifinal. Na final, Baby Shark fez um duelo extremamente equilibrado com seu rival Diego Pato, trabalhando da guarda durante o tempo regulamentar e quase conseguindo chegar nas costas durante a prorrogação para sair com a vitória e a medalha de ouro na decisão dos jurados.

Trocando o clima temperado de Santa Catarina pela aridez do deserto do Mojave, no estado de Nevada, Diogo chegou em Las Vegas e voltou a atravessar a chave até 66kg, raspando para vencer o galês Ash Williams nos pontos, derrotando Fabricio Andrey na decisão, capitalizando mais uma raspagem para eliminar Josh Cisneros na semifinal, e colocando os dois ganchos para pegar as costas de Gabriel Sousa e garantir seu primeiro título no ADCC 2022.

Ana Carolina Vieira: A determinação para superar um trauma e vencer o ADCC 2024

2024 trouxe renovação para a carreira de Ana Carolina Vieira, faixa-preta veterana da Aviv Jiu-Jitsu. O ano marcou o retorno de “Baby” ao cenário competitivo após o trauma sofrido na final do peso absoluto no Mundial de Jiu-Jitsu de 2023, quando acabou apagada por vários segundos após ser estrangulada por Gabi Pessanha, e viu a carioca dar a volta por cima de forma inspiradora, competindo entre os dias 17 e 18 de agosto para conquistar seu primeiríssimo título no ADCC daquele ano. Tão impressionante quanto sua vitória no evento principal, contudo, foi sua campanha na segunda seletiva sul-americana da organização, com Ana rumando para São Paulo no dia 9 de março e simplesmennte finalizando todas as adversárias que cruzaram seu caminho na disputa.

Competindo na chave até 65kg, divisão que foi criada naquele mesmo ano, Ana começou sua campanha montando e encaixando um katagatame em Carla Maia, recebeu os três tapinhas de Amanda Hening com um estrangulamento pelas costas, e lutou a maior parte da semifinal em pé antes de usar uma tentativa de queda para apertar a guilhotina da vitória em Sabrina Sousa. Na disputa do ouro, contra Gabi McComb, Baby conseguiu boas quedas, fez pressão por cima, quase pegou no mata-leão e voltou a usar uma entrada de queda para encaixar sua fulminante guilhotina.

Com a vaga garantida para o evento principal, Ana rumou para a T-Mobile Arena junto a sua esposa e campeã do ADCC Luanna Alzuguir e voltou a confirmar seu talento no palco da organização, vencendo Amanda Leve e Bia Mesquita na decisão após confrontos intensos e equilibrados, e usando seu dominio técnico para rechaçar os botes de finalização da jovem Helena Crevar antes de passar montando para garantir a pontuação da vitória e ficar com título até 65kg do ADCC 2024.

Veja também

Redes Sociais

Mais lidas

Categorias

Instagram

Youtube

Coberturas