Foto: François Oliveira
O Campeonato Pan-Americano de Jiu-Jitsu de 2026 se encerrou no último domingo, dia 29 de março, trazendo campeões conhecidos e novatos talentosos para o topo do pódio de um dos torneios mais importantes do calendário da IBJJF. Mas em meio a todos os nomes que ficaram com o ouro, a atleta que mais se destacou foi Sarah Galvão, representante da Atos que competiu no evento pela primeira vez como faixa-preta e se tornou campeã dupla, superando favoritas como Gabi Pessanha e Janaina Lebre em sua campanha no torneio.
O início da jornada
Filha de pais que deixaram seus nomes marcados no esporte, Sarah alcançou os holofotes antes mesmo de se tornar uma faixa-preta, ficando em primeiro lugar em quase todas as competições que participou nas faixas coloridas. Com sua promoção chegando no pódio do Mundial de 2025, evento no qual ela novamente foi campeã, Sarah testou suas habilidades em torneios como o Campeonato Asiático de Jiu-Jitsu da IBJJF e depois no mais disputado American Nationals, conquistando ao menos uma medalha de ouro em cada um deles e confirmando que seu jogo era viável entre a elite do esporte.
Com ouro duplo conquistado também em um dos opens norte-americanos da IBJJF e vindo de bom desempenho no CJI 2, no qual venceu a experiente Ana Vieira antes de ser derrotada por Helena Crevar na final do GP, a jovem atleta decidiu aumentar a dificuldade e se inscreveu no Pan Sem Kimono de 2025. Competindo no peso médio, Sarah abriu sua campanha finalizando Rebeca Lima com uma americana, esticou o braço da veterana Julia Boscher nas quartas e passou pelas semifinal ao arrochar uma americana no pé de Gamila Kanew. Na finalíssima, a disputa foi contra a faixa-preta novata Injana Goodman, que foi finalista no peso e também no absoluto do campeonato. Injana abriu o placar com uma contra-queda, mas Sarah raspou da 50/50 para empatar e depois, quando Injana ficou de pé, puxou e subiu novamente para vencer de virada por 4 a 2 nos pontos. Mais uma vitória e mais uma confirmação que ainda há espaço para ir mais alto.
Evolução na faixa-preta
Um mês depois do Pan No-Gi, Sarah subiu a um dos palcos mais desafiadores da sua carreira: O IBJJF The Crown 2025. Ingressando na chave de leves da disputa, Sarah precisaria passar por alguns dos principais nomes do esporte para sentir o gosto da vitória novamente, e como era a competidora mais jovem e menos experiente da divisão, começou enfrentando ninguém menos do que Brianna Ste-Marie, canadense que foi campeã da edição anterior. Sarah tomou a iniciativa e saiu com a vitória, puxando e raspando antes de ir para as costas e eliminar Brianna com um estrangulamento, avançando para a semifinal e pressionando a guarda de Cassia Moura até o fim do tempo para conquistar a decisão dos árbitros. Na final, a oponente foi a campeã mundial Janaina Lebre, que puxou logo de início e viu Sarah descer com tudo para quase chegar no norte-sul e receber uma vantagem. Janaina manteve suas reposições de guarda, mas a pressão constante de Sarah limitou o jogo da atleta da AOJ e rendeu mais uma vitória para a faixa-preta da Atos, que se tornou campeã e saiu com a bela coroa do evento.
Já coroada, Sarah precisava agora confirmar seu reinado, e com o início de 2026, sua melhor chance seria o Campeonato Europeu de Jiu-Jitsu. Abrindo a competição nas disputas de absoluto, Sarah foi para as costas e estrangulou Natacha Ribeiro e Simone Pinheiro para garantir sua vaga na final antes de seguir a disputa no peso leve, no qual voltou a atacar o pescoço para eliminar Zara di Tofano nas quartas e Beatrice Jin na semifinal. Com a companheira de equipe Tamara Toros também vencendo de seu lado da chave, Sarah acabou fechando a final dos leves e foi disputar o absoluto contra Gabi Pessanha, atleta conhecida como Rainha do Jiu-Jitsu que detém 10 títulos mundiais na faixa-preta e que domina a chave de peso aberto em todas as competições de kimono que participa. O resultado foi o esperado, com Gabi saindo vitoriosa do confronto, mas Sarah trouxe perigo jogando por cima e quase conseguiu pegar as costas nos últimos momentos do confronto. A derrota, no entanto, não seria o fim dessa história.
Conquista do Pan
Com o início das disputas de faixa-preta do Campeonato Pan-Americano de Jiu-Jitsu, Sarah chegou para buscar mais um ouro para seu currículo e ingressou novamente no peso e absoluto. Começando novamente no peso aberto, Sarah pegou rápido o braço de Maria Fragoso e depois trocou raspagens com Elisabeth Clay para vencer na decisão dos árbitros, continuando o dia de competição na chave de leves, na qual finalizou Larissa Oliveira e venceu Sabrina Gondim por 6 a 0 nos pontos. No segundo dia, Sarah começou fazendo a final do peso contra Janaina Lebre, conquistando uma vitória muito justa na decisão com suas tentativas de passagem e pressão constante por cima.
No absoluto, Sarah voltou a encontrar Gabi Pessanha, a única que conseguiu frear seu ímpeto no Europeu há poucos meses. E dessa vez parecia que o resultado seria o mesmo, com Gabi trabalhando com pressão por cima e recebendo múltiplas vantagens por suas tentativas de passagem. O lance decisivo, no entanto, chegou no último minuto da luta, com Sarah atacando no single-leg e desequilibrando a oponente antes de pular nas costas, com Gabi recebendo uma punição por andar para fora da área de luta e cedendo dois pontos para a jovem atleta. Voltando do meio com a posição já engatada, Sarah colocou os ganchos e recebeu mais quatro pontos, e quando Gabi escapou e ficou de frente, variando para o norte-sul antes de tentar um bote no armlock, que Gabi defendeu sem muito perigo mas que atrasou o contra-ataque da Rainha do Jiu-Jitsu por tempo suficiente para o fim do tempo regulamentar.
Aos 19 anos de idade, com menos de um ano na faixa-preta e já contando com alguns dos títulos mais cobiçados do esporte, Sarah Galvão comemorou com um sorriso no rosto e lágrimas nos olhos a vitória sobre uma das atletas mais dominantes da história do esporte, confirmando de vez seu lugar entre a elite do Jiu-Jitsu internacional com duas medalhas de ouro descansando sobre seus ombros.











